Quem Vigia o Vento Não Semeia (7): O Amor Torna Deus Visível

10.12.2011

A imitação de Deus é difícil: nós nunca amamos como Ele ama. Nunca ninguém viu Deus. [...] Conhecemos o amor de Deus se acreditamos no dom de Cristo ao mundo e se reconhecemos no pobre, no que sofre, no louco, no mal-amado a presença d’Ele. [...] O amor visibiliza Deus: só sabemos que amamos Deus se amamos os nossos irmãos.

[...] Uma comunidade não é um club, uma tribo mas um corpo que caminha. [...] Há graus de chegada ao mistério muito diversos: nós não estamos todos no mesmo patamar em nada, nem mesmo na fé. Ser fiel à comunidade é ser fiel à diversidade que a constitui, ao que nos é comum, aos serviços que exigem a nossa presença. A comunidade como fusão de corações e aleluias é um mito. A comunidade não é a fusão na unidade mas a comunhão na diversidade que é um dos frutos do Espírito. E a preocupação maior é não perder ninguém pelo caminho qualquer que seja o seu grau de fé ou de esperança.

[...] A fé começa quando, pela mão de Jesus, começamos a encontrar com confiança o nosso próprio ser e os mecanismos de defesa contra uma ou outra das quatro grandes angústias existenciais: a solidão, a imperfeição, o absurdo e a finitude. Porque em Deus encontramos a unidade original e a confiança radical: a vida. Aquilo que levou Jesus à morte foi que ele deixou de ter medo da morte como poder último. É o que mostra a ceia: entrega o seu corpo nas mãos dos seus discípulos (e perseguidores); enquanto eles fogem, Jesus rectifica a sua confiança em Deus diante da angústia que a morte representa.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, “A Imitação de Deus”

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