Oração na Festa da Anunciação

27.12.2012

Republico aqui o excerto da “Oração 18” (25 Mar. 1379) de Catarina de Sena, OP que traduzi a partir do trabalho de Suzanne Noffke, OP para o último número do Laicado Dominicano:

Tu, ó Maria
foste feita um livro
no qual a nossa regra é escrita hoje.
Em ti hoje
está escrita a eterna sabedoria do Pai.
Em ti hoje
a nossa força e liberdade humanas são reveladas.
Digo que a nossa dignidade humana é revelada
porque se eu olhar para ti, Maria,
vejo que a mão do Espírito Santo
escreveu a Trindade em ti
ao formar dentro de ti
o Verbo encarnado, o Filho unigénito de Deus.
Ele escreveu para nós a sabedoria do Pai,
que este Verbo é.
Ele escreveu poder para nós,
porque ele era poderoso o suficiente
para realizar este grande mistério.
E ele escreveu para nós
a sua própria — a do Espírito Santo — misericórdia,
porque apenas pela graça divina e misericórdia
foi este mistério tão grande
ordenado e realizado.

Christi Natalis

25.12.2012

A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Jo 1,18

Poemas de Advento (4)

23.12.2012

Na fidelidade sem quebras de Maria,
no seu amor humilde e inesgotável de fonte que escorre,
na sua fé serena mas ardente de labareda que se alteia,
na sua vida que foi como um barco confiado à vontade do mar,
há um apelo para nós.

Às vezes, demasiadas vezes,
a vida assemelha-se a uma repartição cinzenta,
onde os horários se cumprem sem empenho.
Estamos, mas sem compromisso íntimo.
Falamos e fazemos,
mas sentindo o nosso interesse noutro lado.
Vivemos, claro, mas com o coração distante.

Como é necessário tornar realmente úteis
os dias úteis!

Úteis não apenas por imposição do calendário.
Úteis, porque vividos com generosidade e sentido.
Úteis, porque não os atropelamos
na voragem das solicitações,
na dispersão das coisas,
mas sabemos (ou melhor, ousamos) fazer deles
lugar de criação e descoberta, tempo de labor e de escuta,
modo de acção e de contemplação.

É preciso acolher o “inútil”
se quisermos chegar ao verdadeiramente útil.

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, “Apresentação”

Poemas de Advento (3)

17.12.2012

No tecto abobadado, Deus
pensa:
fiz deles a minha alegria,
e tudo o mais que eu criei
fiz para os abençoar.
Mas olha o que eles fazem!
Eu conheço o seu coração
e argumentos:

“Descendemos de
Caim. O mal não é novo,
então, o que importa agora
se bombardearmos a enfermaria,
e o poço aonde os amedrontados
e os precipitados devem
vir buscar água?”

Deus criou Maria pelo pensar.
Suspensa no apogeu
da cúpula de ouro,
ela enrola uma vagem castanha,
e nela a mente
de Cristo, envolta em sangue,
aloja-se e começa a crescer.

JANE KENYON, “Mosaico da Natividade: Sérvia, Inverno de 1993”
(trad. Sérgio Dias Branco)

As Exigências do Evangelho

14.12.2012

Apresento hoje uma comunicação no seminário Religião: Diálogo, Política, Preconceito, organizado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Chama-se “As Exigências do Evangelho: Gustavo Gutiérrez e a Dimensão Política da Teologia”. É uma discussão em torno da teologia da libertação, principalmente a partir da obra do seu inventor, o peruano Gustavo Gutiérrez. Pertence ao primeiro painel da tarde que começa às 14:30.

Deixo uma citação de Gutiérrez, traduzida por mim, do livro The Power of the Poor in History (Eugene, OR: Wipf & Stock Publishers, 2004), que dá o tom do que vou transmitir:

[O] pobre não existe como um facto inescapável do destino. A existência dele ou dela não é politicamente neutra e não é eticamente inocente. Os pobres são um subproduto do sistema em que vivemos e pelo qual somos responsáveis. Eles são os marginalizados pelo nosso mundo social e cultural. Eles são os oprimidos, o proletariado explorado, roubados do fruto do seu trabalho e despojados da sua humanidade. Daí que a pobreza dos pobres não peça uma generosa acção de alívio, mas exija que construamos uma ordem social diferente.

Freedom as Relationship

11.12.2012

Freedom is not a quality of man, nor is it an ability, a capacity, a kind of being that somehow flares up in him. Anyone investigating man to discover freedom finds nothing of it. Why? Because freedom is not a quality which can be revealed—it is not a possession, a presence, an object, nor is it a form of existence—but a relationship and nothing else. In truth, freedom is a relationship between two persons. Being free means “being free for the other,” because the other has bound me to him. Only in relationship with the other am I free.

DIETRICH BONHOEFFER, Creation and Fall Temptation

A Verdadeira Alegria

10.12.2012

A partir de Bar 5,1-9, Filip 1,4-6/8-11, e Lc 3,1-6:

Ontem, na Festa da Imaculada Conceição, meditámos sobre a santidade e a liberdade de Maria. O desafio é termos ainda a capacidade de, num mundo onde o mal acontece e alastra, conceber que alguém pode ser imune a ele, traçando o seu próprio caminho de graça e limpidez de coração. Hoje, no segundo domingo do Advento, somos convidados a imaginar o fruto de Maria, a vinda de quem vem mostrar Deus, de quem nos vem mostrar o que podemos e devemos ser — Jesus. Como João Baptista, aguardamos. É uma espera activa e aberta à surpresa. Envolve uma preparação e, no entanto, o encontro com Jesus é um acontecimento que podemos desejar, mas é também uma experiência que não conseguimos antecipar. Assim é a verdadeira alegria.

Poemas de Advento (2)

10.12.2012

Advento.
Tempo de esperas e recomeços.
Entre as velas do caminho
e as músicas em tons menores
despertamos da noite
ou saímos de um nevoeiro
para entrarmos no mistério que se revela
a quem traz aquecido o coração.

Advento.
Tempo de levantar as cabeças
vigiar e orar
como nos pede o Mestre.
E não olhar para o umbigo
para o desassossego dos problemas,
de cabeça curvada,
a cismar no que nos traz dispersão.

Advento.
Tempo de ouvir o segredo de Deus
de se deixar queimar pelo seu fogo
iluminar pela sua luz
ou encher pela sua presença.
E entrar na gruta
onde Deus se fez um de nós
inocente, puro, todo dado,
para a nossa salvação.
Vem, senhor Jesus.

FILIPE RODRIGUES, OP, “Advento 2012”

Preces para o Advento

05.12.2012

Adaptadas por mim das Laudes de hoje:

Nosso Deus, venha a nós o vosso reino.

Prepara os corações para acolherem o que há-de vir.

Abate os montes do nosso orgulho e levanta os vales da nossa fragilidade.

Destrói os muros de ódio que dividem os povos e aplana os caminhos da concórdia entre os homens.

Venite Adoremus

05.12.2012

Quem Foi, Quem É Jesus Cristo?

03.12.2012

Poemas de Advento (1)

01.12.2012

O advento chega com o cair da folha
e clama:
levantai a cabeça, vigiai!

O advento chega com o abatimento,
a decepção
a desistência
e reclama:
erguei-vos do chão, a alegria é o bordão
que reverdece o vosso andar.

O advento chega como o sono
que reclama
a vitória sobre o medo da noite
a entreaberta janela
por que surde o dia.

O advento chega pela noite dentro
a erguer do chão
os dias obscuros que até
os ulmeiros escurecem.

O advento chega
para reacender a fogueira morta
dos nossos desejos.

Com o Messias chega
para a terraplanagem chama
e os recomeços.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, “Advir - Um Poema de Advento”

Com o Nosso Vizinho

30.11.2012

Antão do Deserto disse: “A nossa vida e a nossa morte é com o nosso vizinho.” Não nos esqueçamos desta verdade.

A Grande Noite

29.11.2012

Lágrimas, não. Lágrimas, não. A sério—
Enfim, não digo que. É natural. Mas pronto. Adeus, prazer em conhecer-vos—
Filhos, sejamos práticos, sadios.

Nada de flores. Rigorosamente.
Nem as velas, está bem? Se as acenderem
Sou homem para me levantar e vir
soprá-las, e cantar os “parabéns”.

Não falem baixo: é tarde para segredos.
Conversem, mas de modo que eu também
oiça, e melhor a grande noite passe.

Peço pouco na hora desprendida:
Fique eu em vós apenas como se
Tudo não fosse mais que um sonho bom.

MÁRIO CASTRIM, escrito uma semana antes do seu falecimento

O Caminho que Ninguém Percorre

28.11.2012

Excerto de um dos textos propostos pela Liturgia das Horas para ontem, de uma homilia atribuída a Macário, bispo:

Ai do caminho que ninguém percorre, em que não se ouve uma voz humana, porque depressa se converte em asilo de animais! Ai da alma por onde o Senhor não passa, fazendo ouvir a sua voz para afugentar as feras espirituais da maldade! Ai da terra que não tem agricultor para a trabalhar! Ai do barco sem timoneiro: batido pelas ondas e tempestades do mar, acaba por naufragar.

Whoever Belongs to the Truth Listens to My Voice

25.11.2012

So Pilate said to him, “Then you are a king?” Jesus answered, “You say I am a king. For this I was born and for this I came into the world, to testify to the truth. Everyone who belongs to the truth listens to my voice.”

Jo 18:33-37

Eternal Words

21.11.2012

“Heaven and earth will pass away, but my words will not pass away.”

Mk 13:31

Uma Mensagem de Apoio à Greve Geral

14.11.2012

O pe. Constantino Alves, da Liga Operária Católica, explica neste breve texto disponibilizado pela CGTP-IN por que razões apoia esta greve geral:

Porque é um direito dos cidadãos recorrerem à greve, quando há problemas laborais graves ou os direitos sociais básicos são postos em causa e foram esgotadas outras formas para a sua resolução.

Porque neste momento o desemprego, a precariedade e a desregulamentação laboral avança como um buldózer demolidor, que além de privar as pessoas do direito ao trabalho e à dignidade, base de sustentação e realização, provoca uma angústia e um sofrimento a milhões de pessoas em Portugal.

Porque o empobrecimento cresce avassaladoramente, a fome é já uma realidade, a austeridade e os sacrifícios impostos, de forma desigual, não têm contribuído para a resolução dos gravíssimos problemas que enfrentamos.

Porque o Estado Social, conquista civilizacional, instrumento e expressão da solidariedade numa sociedade tem vindo a ser reduzido, apostando-se em modelos societários assentes no liberalismo têm acentuado escandalosamente as desigualdades sociais.

Porque a Greve Geral se enquadra numa consciência nacional de exigência de outro modelo de desenvolvimento e de novas políticas que levantem a confiança e a esperança.

Porque como cristão devo estar sempre do lado dos mais pobres e oprimidos, independentemente das organizações, partidos ou governos que promovem as iniciativas.

Um Poema para Amanhã

13.11.2012

Um ofício que fosse de intensidade e calma
e de um fulgor feliz E que durasse
com a densidade ardente e contemporâneo
de quem está no elemento aceso e é a estatura
da água num corpo de alegria E que fosse    fundo
o fervor de ser a metamorfose da matéria
que já não se separa da incessante busca
que se identifica com a concavidade originária
que nos faz andar e estar de pé
expostos sempre à única face do mundo

ANTÓNIO RAMOS ROSA, “Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma”

Religião: Diálogo, Política, Preconceito

12.11.2012

Fui convidado a participar e vou apresentar uma comunicação chamada “As Exigências do Evangelho: Gustavo Gutiérrez e a Dimensão Política da Teologia” sobre o pensamento do frade dominicano que deu origem à teologia da libertação. O programa completo pode ser consultado aqui. As inscrições podem ser feitas aqui.

Na Intimidade de Deus

12.11.2012

A partir de 1Rs 17,10-16, Heb 9,24-28, e Mt 5,3:

Neste domingo da Semana XXXII do Tempo Comum preparamo-nos para acolher Cristo no nosso coração. Nunca estamos realmente preparados e, no entanto, ele oferece-se sempre como se ofereceu no sacrifício da cruz, rasgando um horizonte para a transformação da humanidade. A nossa disposição pode ser diferente se virmos uma entrega semelhante noutras pessoas — como as duas viúvas, cuja generosidade não tinha limites, de que nos falam as sagradas escritas que vamos escutar. O bispo Martinho, que hoje relembramos, deu um testemunho idêntico quando, já muito doente, resolveu um conflito entre clérigos e trouxe a reconciliação. Viver assim, uma vida dedicada e atenta ao próximo, é viver na intimidade de Deus.

Como uma Pergunta

07.11.2012

Como um Deus incompreensível
confundido pela própria argumentação
perguntando: “Onde é que eu ía?”

Como uma pergunta
a que só é possível responder
com novas perguntas.

Como vozes ao longe discutindo:
“Alguma vez deste ordens à manhã,
ou indicaste à aurora o seu lugar?”

Como um filme
em que tudo acontecesse
na escuridão do espectador.

Como o clarão da noite única
e vazia abraçando pela cintura
a jovem luz do dia.

MANUEL ANTÓNIO PINA, “Com Job, Sob o Céu de Calar Alto”

Uma Só Alma

05.11.2012

Se tem algum valor uma exortação em nome de Cristo, ou um conforto afectuoso, ou uma solidariedade no Espírito, ou algum afecto e compaixão, então fazei com que seja completa a minha alegria: procurai ter os mesmos sentimentos, assumindo o mesmo amor, unidos numa só alma, tendo um só sentimento; nada façais por ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e cada um exactamente os interesses dos outros.

Fl 2, 1-4

Para edificar a paz, é preciso, antes de mais, eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras, sobretudo as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades económicas e do atraso em lhes dar remédios necessários. Outras, porém, nascem do espírito de dominação e do desprezo das pessoas; e, se buscamos causas mais profundas, da inveja, desconfiança e soberba humanas, bem como de outras paixões egoístas.

CONCÍLIO VATICANO II, Gaudium et Spes

A Fé Resolve-se Numa Promessa

03.11.2012

José Tolentino Mendonça sobre a fé e o seu sabor:

Muitas vezes, para explicar o que é a Fé, vou buscar a imagem de Delacroix sobre o encontro noturno de Jacob e o Anjo. Volto a ela repetidamente porque, na espécie de teologia visual que ali se constrói, encontro o realismo, a lucidez e a consolação que a maior parte dos discursos teóricos não nos dá. No fundo, o que é que nos diz?

Diz-nos que a Fé é uma experiência inseparável da história de cada um. No jogo da Fé expomos o nosso corpo como Deus expõe o Seu; tocamos e somos tocados, num encontro sem armaduras nem artifícios. A presença é sempre reclamada por inteiro. E as presenças que mutuamente se entregam (a de Deus e a nossa) inauguram um presente.

Depois, diz-nos que a Fé, mesmo quando se desenha com percurso ao sol, não deixa de ter uma condição noturna. A Fé integra necessariamente um estado de pergunta, de incerteza, de maturação e de caminho. Não se trata de uma marcha por evidências, mas de uma sucessão de começos ancorados na confiança.

E por fim, mostra-nos que a tensão da Fé se resolve numa promessa, num abraço, numa dança. E não apenas como realidade projetada num além, mas já no aqui e agora saboreada.

Despertemos (com Todos os Santos)

01.11.2012

Que aproveitam aos Santos o nosso louvor, a nossa glorificação e até esta mesma solenidade? Para quê tributar honras terrenas a quem o Pai celeste glorifica, segundo a promessa verdadeira do Filho? De que lhes servem os nossos pane-gíricos? Os Santos não precisam das nossas honras e nada podemos oferecer lhes com a nossa devoção.

Realmente, venerar a sua memória interessa nos a nós e não a eles.

Por mim, confesso, com esta evocação sinto me inflamado por um anelo veemente.

O primeiro desejo que a recordação dos Santos excita ou aumenta em nós é o de gozar da sua amável companhia, de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem aventurados, de sermos integrados na assembleia dos Patriarcas, na falange dos Profetas, no senado dos Apóstolos, no inumerável exército dos Mártires, na comunidade dos Confessores, nos coros das Virgens; enfim, de nos reunirmos e nos alegrarmos na comunhão de todos os Santos.

Aguarda nos aquela Igreja dos primogénitos e nós ficamos insensíveis; desejam os Santos a nossa companhia e nós pouco nos importamos; esperam nos os justos e nós parecemos indiferentes.

Despertemos, finalmente, irmãos. Ressuscitemos com Cristo, procuremos as coisas do alto, saboreemos as coisas do alto. Desejemos os que nos desejam, corramos para os que nos aguardam, preparemo nos com as aspirações da nossa alma para entrar na presença daqueles que nos esperam. Não devemos apenas desejar a companhia dos Santos, mas também a sua felicidade, ambicionando com fervorosa diligência a glória daqueles por cuja presença suspiramos. Na verdade, esta ambição não é perniciosa, nem o desejo de tal glória é de modo algum perigoso.

Ao comemorarmos os Santos, um segundo desejo se inflama em nós: que, tal como a eles, Cristo, nossa vida, Se nos manifeste também e que nos manifestemos também nós com Ele revestidos de glória. É que de momento a nossa Cabeça revela Se nos não como é, mas como encarnou por nós, não coroada de glória, mas rodeada dos espinhos dos nossos pecados. Envergonhemo nos de sermos membros tão requintados sob uma Cabeça coroada de espinhos, à qual por agora a púrpura não proporciona honras mas afronta. Chegará o momento da vinda de Cristo; e já não se anunciará a sua morte, para sabermos que também nós estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Ele. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela resplandecerão os membros glorificados, quando Ele transformar o nosso corpo mortal e o tornar semelhante ao corpo glorioso da Cabeça que é Ele mesmo.

Desejemos pois esta glória com total e segura ambição. Mas para podermos esperar tal glória e aspirar a tamanha felicidade, devemos desejar também ardentemente a intercessão dos Santos, a fim de nos ser concedido pelo seu patrocínio o que as nossas possibilidades não alcançam.

S. BERNARDO DE CLARAVAL, OCist, Sermões

A Sabedoria e o Reino

31.10.2012

Assim o desejo de Sabedoria conduz ao reino.

Sab 6,20

TEAR: Diálogo (pe. Anselmo Borges)

31.10.2012

A Revolution of the Heart

29.10.2012

The greatest challenge of the day is: how to bring about a revolution of the heart, a revolution which has to start with each one of us?

DOROTHY DAY, OblSB, Loaves and Fishes

The Common Action of Persons

25.10.2012

É manifesto que uma concepção da arte pela arte, [...] , escamoteia a original e inultrapassável implantação social (histórica, material) de toda a produção cultural. A arte não existe à parte — acima, abaixo ou ao lado — do viver humano e das suas produções de consciência. Ela é, sem dúvida, uma produção cultural específica, mas por isso mesmo não deixa de ser uma forma ideológica, quer no seu conteúdo, como na sua configuração, como na sua ressonância social.

DOROTHY DAY, OblSB, “Liturgy and Sociology”

Viver a Fé Aqui e Agora

24.10.2012

Uma Saudação à Marcha Contra o Desemprego

24.10.2012

O pe. Constantino Alves da Liga Operária Católica (LOC) solidariza-se neste texto com a imponente e pacífica marcha que correu Portugal recentemente, reiterando pontos defendidos pela LOC nos seus documentos e na sua publicação Voz do Trabalho:

Não podemos, nem devemos, pois, deixar de atacar o monstro chamado capitalismo, que apoiado num sistema económico neo-liberal, coloca acima de tudo o lucro e provoca os três grandes escândalos do nosso tempo: a fome, o desemprego e as desigualdades sociais.

[...]

Urge, ter uma concepção política aberta, sabendo articular as urgentes e necessárias respostas directas com uma luta política pela transformação ou substituição deste sistema económico que, no quadro da defesa dum verdadeiro Estado Social, garanta os direitos laborais e sociais dos cidadãos.

Do Medo do Outro ao Medo pelo Outro

22.10.2012

O amor transforma o medo do outro em medo pelo outro, pela segurança a ponto de nos tornarmos inteiramente responsáveis pelo outro. É o amor que sustenta a esperança. O amor é o desejo que nos remete para a fonte de onde os rios correm e, como um corpo a caminho, nos reúne.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, Quem Vigia o Vento Não Semeia

Justice Is Love

22.10.2012

Never forget that justice is what love looks like in public.

CORNEL WEST

Santidade, Hagiografia, Memória e Relações de Poder

17.10.2012

Seguir Jesus

16.10.2012

A partir de Sab 7,7-11, Heb 4,12-13, e Mc 10,17-30:

Este é o domingo da Semana XXVIII do Tempo Comum e dizer isto pode fazer com que esta celebração pareça uma repetição. Cabe-nos zelar para que a renovada surpresa do encontro com Cristo não se desvaneça. Catarina de Sena é uma das vozes que transmite de um modo mais intenso o estremecimento sempre novo e transformador desse encontro. Diz ela numa das suas orações que Cristo é a Palavra porque nos transmitiu e transmite a sabedoria do Pai, desta forma encarnando-a. Descobrirmos esta sabedoria como nossa passa por nos despojarmos, distinguindo a fortuna material da riqueza espiritual, aquilo que passa daquilo que permanece, respondendo assim à proposta de Jesus: “Vem e segue-me.”

O Amor Pede Amor

15.10.2012

A Igreja lembra hoje Santa Teresa de Jesus ou de Ávila (1515-1582), reformadora da Ordem dos Carmelitas e Doutora da Igreja. Este parágrafo faz parte do texto que a Liturgia das Horas sugere para este dia, retirado de Livro da Vida:

Sempre que pensarmos em Cristo, lembrêmo-nos do amor com que Ele nos concedeu tantas mercês e da caridade que Deus mostrou ao dar-nos em penhor o próprio amor que tem por nós. O amor pede amor. Procuremos pois ir meditando nisto e despertando-nos para amar. Na verdade, se o Senhor nos concede uma vez a graça de nos imprimir no coração este amor, tudo será fácil para nós e muito faremos em breve tempo e com pouco trabalho.

Educar para a Vida é Também Educar para a Morte

13.10.2012

A entrevista já tem alguns meses, mas vale a pena lê-la. O pe. José António Afonso Pais, capelão do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), fala sobre o modo como não olhamos a morte, desviando assim o olhar de nós próprios: “Só seremos capazes de educar para a vida, se também formos capazes de educar para a morte.” Pode ser lida na íntegra aqui.

The Tongue of Deeds

12.10.2012

Our actions have a tongue of their own; they have an eloquence of their own, even when the tongue is silent. For deeds prove the lover more than words.

ST. CYRIL OF JERUSALEM

Às Chagas

11.10.2012

Divinas mãos, e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.

Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no vosso transformado.

Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha:

Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas de meu Senhor, redenção minha.

AGOSTINHO DA CRUZ, OFMCap

Solidão e Liberdade em Mestre Eckhart

08.10.2012

Wise Foolishness, Strong Weakness

03.10.2012

For the foolishness of God is wiser than human wisdom, and the weakness of God is stronger than human strength. Consider your own calling, brothers. Not many of you were wise by human standards, not many were powerful, not many were of noble birth. Rather, God chose the foolish of the world to shame the wise, and God chose the weak of the world to shame the strong, and God chose the lowly and despised of the world, those who count for nothing, to reduce to nothing those who are something, so that no human being might boast before God.

1Cor 1:25-29

Liturgia, Arte e Arquitectura nos 50 Anos do Concílio Vaticano II

02.10.2012

Encontro Nacional de Docentes e Investigadores

01.10.2012

Perfect Fear

01.10.2012

Perfect love leads a man on to perfect fear. Such a man fears and keeps to God's will, not from fear of punishment, not to avoid condemnation, but because he has tasted the sweetness of being with God; he fears he may fall away from it.

DOROTHEUS OF GAZA

Tradition as Fidelity

30.09.2012

Paul Claudel compared tradition with a man walking. In order to move forward he must push off from the ground, with one foot raised and the other on the ground; if he kept both feet on the ground or lifted both in the air, he would be unable to advance. If tradition is a continuity that goes beyond conservatism, it is also a movement and a progress that goes beyond mere continuity, but only on condition that, going beyond conservation for its own sake, it includes and preserves the positive values gained, to allow a progress that is not simply a repetition of the past. Tradition is memory, and memory enriches experience. If we remembered nothing it would be impossible to advance; the same would be true if we were bound to a slavish imitation of the past. True tradition is not servility but fidelity.

YVES CONGAR, OP, The Meaning of Tradition

TEAR: Esperança (Teresa Salgueiro)

27.09.2012

A Humildade de Deus

24.09.2012

A partir de Sab 2,12/17-20, Tg 3,16-4,3, e Mc 9,30-37:

Reunimo-nos mais uma vez ao domingo, na Semana XXV do Tempo Comum, por devoção e não por obrigação. Desta vez, Jesus convida-nos a abandonarmos o orgulho altivo e a assumirmos a nossa humildade ao enfrentarmos a sua Paixão como um acto radical de entrega, de serviço, de amor. Porque como diz Teresa de Ávila, ao meditarmos sobre a sua humildade percebemos como estamos longe de ser humildes. Estar próximo da humildade de Jesus é estar mais próximo de Deus. E ser humilde como ele não é ser passivo. É simplesmente não deixarmos o olhar dos outros, não levantarmos os pés da terra, não nos elevarmos acima dos que nos rodeiam. É percebermos quem somos, onde estamos, e como podemos contribuir para a construção de um mundo genuinamente solidário e plenamente justo onde a presença de Deus seja mais sentida. É fazer a descoberta de que a história de Deus e a nossa história são, na verdade, uma só.

Os Números e as Pessoas

21.09.2012

A Comissão Nacional de Justiça e Paz diz que “a política pública não tem combatido eficazmente [...] a desigualdade na sociedade portuguesa". Continua num tom semelhante e lúcido:

Apesar de frases sonantes nesse sentido a política pública não tem combatido eficazmente as disparidades na distribuição do rendimento e outras formas de desigualdade na sociedade portuguesa, havendo mesmo indícios de agravamento destas desigualdades nos últimos anos. Só agora se ouviu o anúncio de que seriam sujeitos a impostos novos alguns tipos de bens e de rendimentos de capital. O contraste entre o pormenor das medidas que atingem os rendimentos do trabalho e o carácter vago e brando de algumas que irão afetar, no futuro, a riqueza e os rendimentos de capital é significativo. O desnível das condições de vida sofrido pelas pessoas e famílias por força da crise e das políticas públicas revela um quadro socioeconómico gritantemente desigual. Enquanto a uns falta pão, casa, água e luz, outros mantêm um nível de vida praticamente igual, se não mais elevado, do que aquele que tinham antes da crise. Está aqui um critério fundamental de equidade: não basta proporcionalidade no que se retira (por via fiscal ou outra); também é preciso que exista equidade no que resta depois disso (rendimento disponível). Esta é a medida em que as pessoas e as famílias são afetadas pela crise e medidas conexas. Isto aplica-se não apenas aos rendimentos do capital, mas também a certos estratos de rendimentos do trabalho, como são os de alguns dirigentes de empresas.

O documento está acessível aqui.

Bispo para Vós, Cristão Convosco

19.09.2012

Desde o momento em que foi colocado sobre os meus ombros este cargo de tanta responsabilidade, atormenta-me a preocupação da dignidade que a acompanha. De facto, o que há de mais temível neste ministério é o perigo de nos satisfazer mais o seu aspecto honorífico do que a sua utilidade para a vossa salvação. Mas se por um lado me atemoriza o que sou para vós, por outro lado consola-me o que sou convosco. Sou bispo para vós, sou cristão convosco. Aquele nome significa um encargo recebido, este exprime o dom da graça; aquele é ocasião de perigo, este é caminho de salvação.

S. AGOSTINHO, “Sermão 340”

Oração e Mudança

08.08.2012

A oração não muda Deus, mas muda aquele que a oferece.

SØREN KIERKEGAARD, Pureza de Coração é Desejar Uma Só Coisa

Beggars

03.08.2012

Even though you possess plenty, you are still indigent. You abound in temporal possessions, but you need things eternal. You listen to the needs of a human beggar, yet yourself are a beggar of God. What you do with those who beg from you is what God will do with His beggar. You are filled and you are empty. Fill your empty neighbor with your fullness, so that your emptiness may be filled from God’s fullness.

ST. AUGUSTINE, “Sermon 56”

Viu Porque Procurou

24.07.2012

Dia 22 de Julho foi a memória litúrgica de Maria Madalena. Este ano a festa coincidiu com o domingo e, portanto, acabou por não ser celebrada. Quem se lembrou? Quem não se esqueceu da discípula que não queria esquecer Jesus?

O texto que a Liturgia das Horas propõe para a celebração é profundamente tocante, desenvolvendo a ideia de que ela viu Cristo numa nova vida, ressuscitado, por não ter desistido. Viu porque procurou, porque não abandonou o seu amor por ele. É um excerto de uma homilia do Papa Gregório Magno datada do séc. VI:

Maria Madalena, quando chegou ao sepulcro e não encontrou lá o corpo do Senhor, julgou que alguém O tinha levado e foi avisar os discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que essa mulher lhes dissera. Destes está escrito logo a seguir: E regressaram os discípulos para sua casa. E depois acrescenta-se: Maria, porém, estava cá fora, junto do sepulcro, a chorar.

Estes factos levam-nos a considerar a grandeza do amor que inflamava a alma desta mulher, que não se afastava do sepulcro do Senhor, mesmo depois de se terem afastado os discípulos. Procurava a quem não encontrava, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do amor, sentia a ardente saudade d’Aquele que pensava ter-lhe sido roubado. Por isso, só ela O viu então, porque só ela ficou a procurá-l’O. Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até ao fim será salvo.

Começou a buscar e não encontrou; continuou a procurar e finalmente encontrou. Os desejos foram aumentando com a espera e fizeram que chegasse a encontrar. Porque os desejos santos crescem com a demora; mas os que esfriam com a dilação não são desejos autênticos. Todas as pessoas que chegaram à verdade, conseguiram-no porque lhe dedicaram um amor ardente. Por isso afirmou David: A minha alma tem sede do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? Por isso também diz a Igreja no Cântico dos Cânticos: Estou ferida pelo amor. E ainda: A minha alma desfalece.

Mulher, porque choras? Quem procuras? É interrogada sobre a causa da sua dor, para que aumente o seu desejo e, ao mencionar ela o nome de quem procurava, mais se inflame no amor que Lhe tem.

Disse-lhe Jesus: Maria! Depois de a ter tratado pelo nome comum de “mulher”, sem que ela O tenha reconhecido, chamou-a pelo nome próprio. Foi como se lhe dissesse abertamente: “Reconhece Aquele que te conhece a ti. Não é de modo genérico que te conheço, mas pessoalmente”. Por isso Maria, ao ser chamada pelo seu nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente lhe chama “Rabbúni”, isto é, “Mestre”. Era Ele a quem procurava externamente e era Ele quem a ensinava interiormente a procurá-l’O.

A New Female Doctor of the Church

16.07.2012

The Benedictine nun Hildegard of Bingen (1098-1179) joins Catherine of Siena, Teresa of Jesus (or Avila), and Thérèse of the Child Jesus (or Lisieux). On 7 October 2012, Pope Benedict XVI will declare her the 35th Doctor of the Church. Hildegard wrote letters, explicative essays, treatises, and accounts of her mystical visions. She also wrote penetrating and powerful poems such as this one:

No creature has meaning
without the Word of God.
God’s Word is in all creation, visible and invisible.
The Word is living, being,
spirit, all verdant greening,
all creativity.
This Word flashes out in
every creature.
This is how the spirit is in
the flesh — the Word is indivisible from God.

Thomas Aquinas and the Limits of Our Talk About God

11.07.2012

I would only note that what might in a general way commend Thomas Aquinas’ arguments is that they are simultaneously the demonstration that God exists and that we could not possibly know what it means to say that God exists.

DENYS TURNER, “Marxism, Liberation Theology and the Way of Negation”

Being Catholic

10.07.2012

Adam Kotsko, author of Žižek and Theology (New York: Continuum, 2008) and Politics of Redemption: The Social Logic of Salvation (New York: Continuum, 2010), explains why he is a Catholic this way:

This is what keeps me coming back to mass every week: I simply cannot go a week without receiving the Lord in communion. God’s grace works in an infinite number of ways, but I firmly believe that communion allows us to participate in God’s grace in a way that is unaccessible to us by any other means. It is not just a memorial; it is not just a reenactment: no matter how you think it happens in a metaphysical sense, it is a participation in Christ. It is a taking into oneself of everything that Christ has for us. No song, no sermon, nothing can ever hope to take the place of that.

In conclusion, I am Catholic because the Catholic Church is the place where the Eucharist is celebrated. Take away all the trappings of authority and doctrine, and that is what you have: a congregation gathered to celebrate the Eucharist. Church is many things, but Church is at its best and anticipates the life of heaven the best when it celebrates that sacrament that is so many different things at once. That sacrament is ultimately why I became Catholic and it is why I am still Catholic.[1]

Of course, the Orthodox believe and practice the same thing, but Kotsko’s main point still stands. I would just add that, if the Eucharist is so central to us, then it has to have real consequence in our lives. Timothy Radcliffe wrote a whole book to address the question: why go to church?[2] The answer he found is simple: we go to church to be sent from it. In communion with God, we are sent to contribute to “justice and peace in conformity with divine wisdom”.[3]

______________________

[1] Adam Kotsko, “Why I Am Still Catholic”, pars. 6-7, http://kotsko.tripod.com/why.htm.
[2] Timothy Radcliffe OP, Why Go to Church?: The Drama of the Eucharist (New York: Continuum, 2008).
[3] Catechism of the Catholic Church, par. 2419.

Eckhart

09.07.2012

God is constantly speaking only one thing. God’s speaking is
one thing. In this one utterance God speaks the Son and at the
same time the Holy Spirit and all creatures.
MEISTER ECKHART, OP

Eckhart von Hochheim was born circa 1260 in Gotha, now part of Germany, and died around 1327. He is usually know as Meister (Master) Eckhart. As a theologian, philosopher, and mystic, Eckhart is a towering figure in the Order of Preachers. Dominicans wish to follow Jesus as a preacher, which means modeling themselves on the creativity of his language. It is no surprise then that many of them have encountered resistance within the Church — even Thomas Aquinas, now generally considered the greatest Catholic philosopher and theologian, was opposed by Stephen Tempier, the bishop of Paris. Eckhart was tried by Pope John XXII and his defence became famous for his rational and clear responses and his refutation of any heretical intent. He passed away before the sentence was announced.

When Timothy Radcliffe was Master of the Dominicans he pressed for Eckhart’s full rehabilitation and the confirmation of his theological orthodoxy from the Holy See. In a letter to the chairman of the Eckhart Society sent in 1992, Radcliffe wrote that “we tried to have the censure lifted on Eckhart and were told that there was really no need since he had never been condemned by name, just some propositions which he was supposed to have held, and so we are perfectly free to say that he is a good and orthodox theologian.” A sign of this approval was Pope John Paul II’s audience in September 1985 in which he remarked

Did not Eckhart teach his disciples: “All that God asks you most pressingly is to go out of yourself [...] and let God be God in you?” One could think that in separating himself from creatures, the mystic leaves his brothers, humanity, behind. The same Eckhart affirms that, on the contrary, the mystic is marvellously present to them on the only level where he can truly reach them, that is, in God.

Meister Eckhart has also been a significant inspiration for the theological thought of Joseph Ratzinger, now Benedict XVI, particularly in the understanding of the faithful’s union through the life of Christ.

Eckhart’s meditations (exemplified here, here, and here) have many points in common with other religious traditions. Hindu and Buddhist scholars in particular have explored these connections. Ananda K. Coomaraswamy, a distinguished Hindu philosopher from Sri Lanka, wrote a fundamental book on Hinduism and Buddhism[1] that draws heavily on Meister Eckhart. The first part of the book concentrates on Hinduism and opens with a quote from him:

The sacred scriptures state everywhere that man should be emptied of himself. When you are emptied of yourself, you are the master of yourself; when you are the master of yourself, you possess yourself; when you possess yourself, you are possessed of God and all that He has ever made.

It is not all. The second part focuses on Buddhism and begins with two other quotes:

In your judgment, what has made it possible for you to reach the eternal truth? — It is because I have abandoned my self as soon as I have found it.

[...] those who are not liberated are afraid of the deep joy of those who are liberated. No one is rich of God, unless he is entirely dead to himself.

Thinking of the Dominican influence on the Second Vatican Council it is clear that the statements that we find in Nostra Aetate, the declaration on the relation of the Church to Non-Christian religions, about the enlightening truth of Hinduism and Buddhism (and Judaism and Islam) are inseparable from Eckhart’s penetrating teachings. Here are some excerpts from his sermons to mull over:

Though it may be called a nescience, and unknowing, yet there is in it more than all knowing and understanding without it; for this unknowing lures and attracts you from all understood things, and from yourself as well. (German sermon 1)

The soul is scattered abroad among her powers, and dissipated in the action of each. Thus her ability to work inwardly is enfeebled, for a scattered power is imperfect. (German sermon 2)

No. Be sure of this: absolute stillness for as long as possible is best of all for you. (German sermon 4)

You should know that God must act and pour Himself into the moment He finds you ready. (German sermon 4)

Do not imagine that your reason can grow to the knowledge of God. (German sermon 4)

There is a power in the soul which touches neither time nor flesh, flowing from the spirit, remaining in the spirit, altogether spiritual. (German sermon 7)

So, when I am able to establish myself in nothing, and nothing in myself, uprooting and casting out what is in me, then I can pass into the naked being of God, which is the naked being of the Spirit. (German sermon 7)

Since it is God’s nature not to be like anyone, we have to come to the state of being nothing in order to enter into the same nature that He is. (German sermon 7)

One means, without which I cannot get to God, is work or activity in time, which does not interfere with eternal salvation. “Works” are performed from without, but “activity” is when one practises with care and understanding from within. (German sermon 9)

If you seek God and seek Him for your own profit and bliss, then in truth you are not seeking God. (German sermon 11)

The human spirit must transcend number and break through multiplicity, and God will break through him; and just as He breaks through into me, so I break through into Him. (German sermon 14b)

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[1] Ananda K. Coomaraswamy, Hinduism and Buddhism (Mountain View, CA: Golden Elixir Press, 2011).

Ver e Amar

07.07.2012

Levanta-te!
Levanta-te das trevas!
Desperta-te!
Abre o olho do entendimento
e olha para a profundidade
dentro do poço profundo da caridade divina!
Porque se não vires,
não poderás amar.
Quanto mais vires,
mais amarás.
Uma vez que ames,
vais seguir,
e vais vestir-te na Sua vontade.

S. CATARINA DE SENA, OP, “Oração 19”, 27 Mar. 1379
(trad. Sérgio Dias Branco, trad. orig. Suzanne Noffke, OP)

Pray Without Ceasing

05.07.2012

We must pray without ceasing, in every occurrence and employment of our lives—that prayer which is rather a habit of lifting up the heart to God as in a constant communication with Him.

ST. ELIZABETH ANN SETON, SC

The Truth That Enlightens All Men

15.06.2012

Religions, however, that are bound up with an advanced culture have struggled to answer the same questions by means of more refined concepts and a more developed language. Thus in Hinduism, men contemplate the divine mystery and express it through an inexhaustible abundance of myths and through searching philosophical inquiry. They seek freedom from the anguish of our human condition either through ascetical practices or profound meditation or a flight to God with love and trust. Again, Buddhism, in its various forms, realizes the radical insufficiency of this changeable world; it teaches a way by which men, in a devout and confident spirit, may be able either to acquire the state of perfect liberation, or attain, by their own efforts or through higher help, supreme illumination. Likewise, other religions found everywhere try to counter the restlessness of the human heart, each in its own manner, by proposing “ways”, comprising teachings, rules of life, and sacred rites. The Catholic Church rejects nothing that is true and holy in these religions. She regards with sincere reverence those ways of conduct and of life, those precepts and teachings which, though differing in many aspects from the ones she holds and sets forth, nonetheless often reflect a ray of that Truth which enlightens all men.

SECOND VATICAN COUNCIL, Nostra Aetate

Corpus Christi

07.06.2012

Christ’s body is not in this sacrament in the same way as a body is in a place, which by its dimensions is commensurate with the place; but in a special manner which is proper to this sacrament. Hence we say that Christ’s body is upon many altars, not as in different places, but “sacramentally”: and thereby we do not understand that Christ is there only as in a sign, although a sacrament is a kind of sign; but that Christ’s body is here after a fashion proper to this sacrament [...].

ST. THOMAS AQUINAS, OP, Summa Theologica

Son and Mother

01.06.2012

Jesus was an only son
As he walked up Calvary Hill
His mother Mary walking beside him
In the path where his blood spilled

Jesus was an only son
In the hills of Nazareth
As he lay reading the Psalms of David
At his mother’s feet

A mother prays, “Sleep tight, my child, sleep well
For I’ll be at your side
That no shadow, no darkness, no tolling bell,
Shall pierce your dreams this night”

In the garden at Gethsemane
He prayed for the life he’d never live,
He beseeched his Heavenly Father to remove
The cup of death from his lips

Now there’s a loss that can never be replaced,
A destination that can never be reached
A light you’ll never find in another's face,
A sea whose distance cannot be breached

Well Jesus kissed his mother’s hands
Whispered, “Mother, still your tears,
For remember the soul of the universe
Willed a world and it appeared”

BRUCE SPRINGSTEEN, “Jesus Was an Only Son” from Devils & Dust

O Monoteísmo Conduz ao Fundamentalismo?

11.05.2012

Admissão OP

07.05.2012

  

Levantar o Céu

07.05.2012

José Mattoso deu uma entrevista a propósito do seu novo livro Levantar o Céu: Os Labirintos da Sabedoria (Lisboa: Círculo de Leitores, 2012) que pode ser lida aqui. Não deixemos passar estas palavras sem lhes dar a devida atenção.

Um Ano

05.05.2012

Fr. José Augusto Mourão morreu há um ano. Tempo nenhum:

Há entre nós um espaço de realidade que ignoramos e de que nada podemos dizer senão que existe e nos dispõe em profundidade de modo que quando vamos a Ele, a questão do encontro ultrapassa o simples facto de o ver. À nossa profundidade responde a sua profundidade. Não quer dizer que o que está em causa esteja votado à ignorância ou ao anonimato — isso surgirá no dia último, aquando da ressurreição. Entre estes dois campos, actualmente disjuntos, o da origem, disposto pela mão do Pai e o da ressurreição, proposto à guarda do Filho, situa-se o lugar de encontro em que um personagem singular se apresenta ao acto singular do crer: creio na ressurreição dos mortos. Há uma fronteira no interior de nós — entre o que nos é dado e o que em nós acredita. Do que nos é dado não decidimos; do crer, devemos decidir.

Recusar a ressurreição de Cristo é resignar-se a acabar. A ressurreição de Jesus é de certo modo a eternidade que entra no tempo, ou o tempo que acede à dimensão da eternidade. A vida (eterna) está em nós e a comunhão nas nossas vidas (de filhos), nas nossas experiências, nos nossos amores, se aceitamos viver, sentir, amar, sob o signo do jardineiro que anuncia a Páscoa.

— “Morrer e Ressuscitar”

The Resurrected Christ Is the Crucified Christ

02.05.2012

The resurrected Christ is the crucified Christ. Only such a Christ, moreover, can save us. For Jesus is the Christ, being for us this particular man making possible a particular way of life that is an alternative to the world’s fear of one like Jesus.

STANLEY HAUERWAS, “What’s Love Got to Do with It?”

Always Topical

27.04.2012

The Church herself is a field, within which seeds and weeds, the good and the wicked, grow together, a place where there is room to grow, to be converted and above all to imitate God’s patience. The wicked exist in this world either to be converted or that through them the good may exercise patience.

ST. AUGUSTINE

Detachment and Humility

25.04.2012

In detachment, the spirit finds quiet and repose for coveting nothing. Nothing wearies it by elation, and nothing oppresses it by dejection, because it stands in the center of its own humility.

ST. JOHN OF THE CROSS, OCD

A Beatific Vision

24.04.2012

Upon that day faces shall be radiant, gazing upon their Lord

Quran 75:22–23

Not Christian or Jew or Muslim, not Hindu,
Buddhist, sufi, or zen. Not any religion
or cultural system. I am not from East
or the West, not out of the ocean or up
from the ground, not natural or ethereal, not
composed of elements at all. I do not exist,
am not an entity in this world or the next,
did not descend from Adam and Eve or any
origin story. My place is placeless, a trace
of the traceless. Neither body or soul.

I belong to the beloved, have seen the two
worlds as one and that one call to and know,
first, last, outer, inner, only that
breath breathing human being.

JALAL AD-DIN MUHAMMAD RUMI

The Reality of the Resurrection

23.04.2012

What is the Resurrection of Christ? The best answer is: we do not know. It is something that we cannot fully comprehend. This does not mean that we cannot think and talk about it. Whatever the Resurrection is, it has nothing to do with the restoration of life to Jesus’ corpse. The resurrected Christ is not a zombie.

After Jesus’ bodily death on the Cross, the apostles gathered and he “came and stood in their midst and said to them, ‘Peace be with you.’” (Jn 20:19). “[H]e was made known to them in the breaking of the bread” (Lk 24:35). That is, he stands among us, his followers, especially when we celebrate the Eucharist. This is why Michel Quoist speaks about Christ’s resurrected body as being, in a very concrete way, the bodies of the members of this community that we call Church who act out of love towards every person. All of humanity has a place in the Church. It is not a club, but a brotherhood founded on a universal kinship. The Gospels make clear that, as the Dominican Herbert McCabe writes, “Christ is present to us in so far as we are present to each other.”[1]

I leave you with mediations from two great Catholic theologians on the real dimension of the Resurrection, the Jesuit Karl Rahner and Joseph Ratzinger, now Pope Benedict XVI. They write bearing in mind that ultimately we do not possess the language to talk about it, but that our faith and reason demand that we keep trying:

[W]e should achieve for ourselves a clear understanding of what really can be meant in theological terms by resurrection. The moment we picture to ourselves a dead man returning once more into our temporal dimension, with the biological conditions belonging to it, we have conceived of something which has nothing whatever to do with the Resurrection of Jesus, and which cannot have any significance for our salvation either. In fact to say that any individual has risen from the dead must be precisely tantamount to saying: “This man in this fate of his which seems so absolutely negative, has in a true sense, as himself, and together with his history, really attained God.” What it does not say, however, is this: “He has once more extricated himself from the process of death, and is once more there on the same plane as ourselves.”[2]

To the Christian, faith in the Resurrection of Jesus Christ is an expression of certainty that the saying that seems to be only a beautiful dream is in fact true: “Love is strong as death” (Sg 8:6). In the Old Testament this sentence comes in the middle of praises of the power of eros. But this by no means signifies that we can simply push it aside as a lyrical exaggeration. The boundless demands of eros, its apparent exaggerations and extravagance, do in reality give expression to a basic problem, indeed the basic problem of human existence, insofar as they reflect the nature and intrinsic paradox of love: love demands infinity, indestructibility; indeed, it is, so to speak, a call for infinity. But it is also a fact that this cry of love’s cannot be satisfied, that it demands infinity but cannot grant it; that it claims eternity but in fact is included in the world of death, in its loneliness and its power of destruction. Only from this angle can one understand what “resurrection” means. It is the greater strength of love in face of death.

[...]

But what has all this to do, it may be asked, with faith in the Resurrection of Jesus? Well, we previously considered the question of the possible immortality of man from two sides, which now turn out to be aspects of one and the same state of affairs. We said that, as man has no permanence in himself, his survival could only be brought about by his living on in another. And we said, from the point of view of this “other”, that only the love that takes up the beloved in itself, into its own being, could make possible this existence in the other. These two complementary aspects are mirrored again, so it seems to me, in the two New Testament ways of describing the Resurrection of the Lord: “Jesus has risen” and “God (the Father) has awakened Jesus.” The two formulas meet in the fact that Jesus’ total love for men, which leads him to the Cross, is perfected in totally passing beyond to the Father and therein becomes stronger than death, because in this it is at the same time total “being held” by him.

From this a further step results. We can now say that love always establishes some kind of immortality; even in its prehuman stage, it points, in the form of preservation of the species, in this direction. Indeed, this founding of immortality is not something incidental to love, not one thing that it does among others, but what really gives it its specific character. This principle can be reversed; it then signifies that immortality always proceeds from love, never out of the autarchy of that which is sufficient to itself. We may even be bold enough to assert that this principle, properly understood, also applies even to God as he is seen by the Christian faith. God, too, is absolute permanence, as opposed to everything transitory, for the reason that he is the relation of three Persons to one another, their incorporation in the "for one another” of love, act-substance of the love that is absolute and therefore completely “relative”, living only “in relation to”. As we said earlier, it is not autarchy, which knows no one but itself, that is divine; what is revolutionary about the Christian view of the world and of God, we found, as opposed to those of antiquity, is that it learns to understand the “absolute” as absolute “relatedness”, as relatio subsistens.

To return to our argument, love is the foundation of immortality, and immortality proceeds from love alone. This statement to which we have now worked our way also means that he who has love for all has established immortality for all. That is precisely the meaning of the biblical statement that his Resurrection is our life.[3]
______________________

[1] Herbert McCabe, OP, The New Creation (New York, NY: Continuum, 2010), p. xi.

[2] Karl Rahner, SJ, Theological Investigations, Vol. XI: Confrontations (London: Darton, Longman & Todd, 1974), pp. 207-8.

[3] Joseph Ratzinger, Introduction to Christianity [1968], trans. J. R. Foster (San Francisco: Ignatius Press, 2004), pp. 301-2 and 305-6.

This Very Moment

13.04.2012

This very moment I may, if I desire, become the friend of God.

ST. AUGUSTINE

Ressurreição

08.04.2012

Ressuscitou, o Cristo está vivo!

Porque o buscais no meio dos mortos?

Ressuscitou como disse!

Aleluia!

Paixão

06.04.2012

Permanece junto de mim.

Ora e vigia.

A Paixão de Jesus Cristo

30.03.2012

This Great Love Inside Me

24.03.2012

I am so small I can barely be seen.
How can this great love be inside me?

Look at your eyes. They are small,
but they see enormous things.

JALAL AD-DIN MUHAMMAD RUMI

Impossible Prayer

23.03.2012

O God our father, You who, in a night of despair, crucified Your son, who, in this night of butchery, as agony became impossible — to the point of distraction — became the Impossible Yourself and felt impossibility right to the point of horror — God of despair, give me that heart, Your heart, which fails, which exceeds all limits and tolerates no longer that You should be!

GEORGES BATAILLE, Inner Experience

Deus no Quotidiano

22.03.2012

Este texto do fr. Filipe fez-me lembrar a seguinte passagem do místico dominicano Mestre Eckhart. A tradução é minha, a partir de uma versão em inglês:

A oração é melhor do que a corrida e uma igreja é um lugar mais nobre do que as ruas. Mas nas tuas acções mantém uma mente igual, uma fé igual, um amor igual ao teu Deus, e uma seriedade igual. Certifica-te se mantiveste a tua mente igual desta forma e nada te impedirá de estares constantemente na presença de Deus. Mas se Deus não está desta forma, verdadeiramente dentro da pessoa, e tem de entrar de fora, a partir disto ou daquilo, [...] então este homem não encontrou Deus. [...] Por isso, ele não se incomoda apenas [...] com as ruas, mas também com a igreja; e não apenas com as más conversas e maus actos, mas também com boas conversas e acções; porque o obstáculo está dentro ele, porque dentro dele Deus não se tornou todas as coisas.

50 Anos Depois

11.03.2012

Where to Begin?

09.02.2012

Begin with the heart, for the spring of life arises from the heart.

MEISTER ECKHART, OP

Da Insensatez dos Santos

02.02.2012

Eis alguns pensamentos que me surgiram depois de uma conversa um pouco frustrante sobre Francisco de Assis e os primeiros Franciscanos. Aconteceu no contexto de uma sessão com a projecção do filme Francesco, giullare di Dio (1950), realizado por Roberto Rossellini, que recebeu o infeliz título português O Santo dos Pobrezinhos.

Não há santo que não seja visto como insensato, ontem como hoje. Essa insensatez não é loucura, mas temeridade — e isso nada tem de ingénuo. Estes homens e mulheres habitaram e habitam o mesmo mundo que nós habitamos. Em princípio, nada os distingue de nós. As escolhas únicas que fizeram, fazem deles santos aos nossos olhos, cada um e cada uma à sua maneira. A sua santidade particular é o culminar do seu viver. São completamente humanos, isto é, verdadeiramente livres, na sua intimidade lavra a força de Deus. Agarram a totalidade da vida, moldando-a no exercício da sua liberdade, agindo apenas por amor. Porque como escreveu Georges Bernanos em Jeanne relapse et sainte, “a santidade é uma aventura, é na realidade a única aventura”.

The Holy Secret Is Laid Bare

01.02.2012

With imagination you don’t have to travel far to find God — only notice things. The finite and the infinite live in the same place. It is here alone, at this precarious point, that the holy secret is laid bare. “I live in this world by attention.”

SIMONE WEIL

Curso de Comunicação e Pregação

18.01.2012

O Instituto São Tomás de Aquino, situado no Convento de São Domingos em Lisboa, propõe um novo curso composto por sete conferências:

O verdadeiro nome dos dominicanos é “Ordem dos Pregadores”. S. Domingos de Gusmão criou esta Ordem para a “santa pregação” e são já 800 anos de experiência e prática de pregação que queremos partilhar com todos os que desejem aprender ou aperfeiçoar esta arte de comunicar.

Que nos ensinam os grandes pregadores? Como preparar seriamente uma pregação? Quais as leis da comunicação que a pregação terá de respeitar? Será a revelação de Deus um modelo de comunicação? Que diversos modelos e públicos podem inspirar a nossa pregação?

Com este curso se procura, pois, uma iniciação teórico-prática à imprescindível tarefa eclesial da pregação. (José Nunes, OP)

28 JAN.
Bento Domingues, OP, “A Pregação na Tradição Dominicana (a Graça da Pregação)”

11 FEV.
Francolino Gonçalves, OP, “A Palavra de Deus como Comunicação”

18 FEV.
José Manuel, OP, “Os Sermões do Mestre Eckhart”
José Carlos, OP, “Fr. João Franco, um Sermão do Século XVIII”

25 FEV.
José Nunes, OP, “As Modalidades Clássicas da Pregação”

3 MAR.
Paulo Rocha, “A Arte de Comunicar”

17 MAR.
Rui Grácio, OP, “Do Silêncio à Palavra: A Espiritualidade da Pregação”

Horário: das 15:00 às 16:30 (entrada livre)

Doutores da Igreja Dominicanos

13.01.2012

Os Doutores da Igreja são pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da doutrina e espiritualidade cristãs, com particular autoridade e originalidade. A declaração de um Doutor da Igreja é rara. Neste momento, o grupo é composto por 33 mulheres e homens.

O estudo é um dos pilares da espiritualidade da Ordem dos Pregadores (OP) — os outros são o apostolado, a comunidade, e a oração. Não é de estranhar, portanto, que esta seja uma das ordens que mais Doutores deu à Igreja: três no total, dois religiosos, os frades Alberto Magno (1206-1280) e o seu aluno Tomás de Aquino (1225-1274), e uma leiga, Catarina de Sena (1347-1380).

A Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) é a única com o mesmo número de Doutores da Igreja. O grupo de três inclui os dois fundadores da ordem, João da Cruz (1542–1591) e Teresa de Ávila (1515–1582), e a “pequena flor” Teresa de Lisieux (1873-1897). Seja como for, Tomás é considerado o maior teólogo e filósofo da Igreja. É chamado de Doctor Communis exactamente por ser considerado mestre de todos e em todos os tópicos teológicos e filosóficos.

Eastern Catholic Churches

12.01.2012

The Eastern Catholic churches are self-governing as well as part of the Catholic community, in full communion with the Bishop of Rome, pope. They are therefore designated by the Latin expression sui iuris (of one’s own right). In contrast with Latin Catholic, Byzantine Catholic and Greek Catholic describe those who belong to these churches that use the Byzantine Rite. The terms Oriental or Eastern Catholic are broader, given that they also cover Catholics who follow the Alexandrian, Antiochian, Armenian, or Chaldean liturgical traditions. The Church is always bigger than we think.

This is a list of the 22 Eastern Catholic Churches:

Albanian Byzantine Catholic Church (Albania)
Armenian Catholic Church (Armenia)
Belarusian Greek Catholic Church (Belarus)
Bulgarian Greek Catholic Church (Bulgaria)
Chaldean Catholic Church (Iraq)
Coptic Catholic Church (Egypt)
Eparchy of Krizevci (Croatia)
Ethiopian Catholic Church (Ethiopia)
Greek Byzantine Catholic Church (Greece)
Hungarian Byzantine Catholic Church (Hungary)
Italo-Albanian Byzantine Catholic Church (Italy)
Macedonian Greek Catholic Church (Macedonia)
Maronite Catholic Church (Lebanon)
Melkite Greek-Catholic Church (Syria)
Romanian Greek-Catholic Church (Romania)
Russian Catholic Church (Russia)
Ruthenian Byzantine Catholic Church (Ukraine)
Slovak Byzantine Catholic Church (Slovakia)
Syriac Catholic Church (Lebanon)
Syro-Malabar Catholic Church (India)
Syro-Malankara Catholic Church (India)
Ukrainian Greek-Catholic Church (Ukraine)

Love Is Not Taught

11.01.2012

The love of God is not taught. No one has taught us to enjoy the light or to be attached to life more than anything else. And no one has taught us to love the two people who brought us into the world and educated us. Which is all the more reason to believe that we did not learn to love God as a result of outside instruction. In the very nature of every human being has been sown the seed of the ability to love. You and I ought to welcome this seed, cultivate it carefully, nourish it attentively and foster its growth by going to the school of God’s commandments with the help of His grace.

ST. BASIL THE GREAT

Crer Entendendo, Entender Crendo

10.01.2012

Anselmo disse que cria para entender. Pouco depois, no séc. XII, o teólogo e filósofo Pedro Abelardo declarava que entendia de modo a crer. Tomás de Aquino concordou com ambos mais tarde. A fé é um movimento dinâmico, entre a crença e o entendimento, o entendimento e a crença. Depende dos dois para se aprofundar e nos ir habitando. Vamos crendo naquilo que entendemos e entendendo aquilo em que cremos. O que quer dizer que o que fica por compreender é sempre maior, tão grande como o que podemos sonhar e o que ainda não fizemos.