O Que Quer Dizer Ser Humano?

05.01.2015

A Olinda Marques da Liga Operária Católica pediu-me um pequeno texto sobre a minha experiência de catequese. Como lhe disse, não tive tal experiência — embora tenha tido formação dominicana. O meu percurso foi feito à sua margem e, pelo que vejo em muitos casos, a catequese pode ter efeitos perniciosos, de fechamento da imaginação, de desatenção à realidade, de renúncia da crítica. Ela insistiu e escrevi este parágrafo que foi publicado agora na secção “Em Foco” da revista JO: Juventude Operária, n.º 655 (p. 5):

Aprendi o valor da catequese com uma amiga muçulmana de nome Noorin. Bem sei que a catequese é normalmente entendida como um simples processo de instrução no fundamental de uma tradição religiosa, nomeadamente a cristã. Mas na raiz da palavra está outra acção: fazer soar. Além de referências da tradição islâmica, ela usa filósofos gregos e pensadores cristãos nas sessões que coordena no Canadá. A questão central colocada às crianças e aos jovens é esta: o que quer dizer ser humano? Através do desenvolvimento de narrativas, da partilha de experiências, e de um intenso diálogo, as respostas fazem soar a humanidade comum dos participantes, como promessa e projecto, ligando a busca do sentido à escolha da acção, o ser ao agir. Sejamos obreiros do mundo anunciado por Jesus crucificado, sem cativos nem iniquidades — um mundo que realize a nossa humanidade.