OP: Visitação dos Dias Pardos (1)

13.11.2015

Deus, visitação dos nossos dias pardos,
palavra dos começos e do partir que não acaba,
liberta o corpo desta porção que a tua mão plantou
e Domingos rega

prepara os nossos olhos para os caminhos a abrir,
liberta a nossa fala das violências do instante
e mais ainda da ruína do esquecimento,
da morte que vem só,
mais insidiosa que a violência das catástrofes;
protege as nossas diferenças,
não a indiferença que nos arrasta apáticos

activa a nossa imaginação e a nossa memória
em direcção aos horizontes que o nosso andar deslocam

visite-nos a tua claridade neste fim de dia, da vida
para que livres dos demónios das querelas,
do que nos fixa à monotonia do sono
e de todas as noites que se não esclarecem,
te dêmos em todo o tempo graças
a ti, Deus que vens em Jesus Cristo e no Espírito
e nos acordas para o país do Dia,
hoje e no tempo todo da nossa fé na esperança

—José Augusto Mourão, OP, “S. Domingos” (1985)