A Paz e o Desassossego

27.08.2020


Saiu hoje a minha sétima publicação no Pontos SJ que uma homenagem/memória de Pedro Casaldáliga (1928-2020). Pode ser lida aqui.

A Claridade (II)

19.08.2020


Passei pelo campo de futebol do bairro, mãe. Já não existe. Será que as crianças já não brincam na rua? As ervas cobrem agora a terra batida. As balizas desapareceram sem deixar vestígio. Restou apenas uma clareira, onde se pode passear sem que o sol seja filtrado pelas folhas das árvores. Tudo parece mais pequeno, mesmo este campo, esta clareira. Sou maior do que era, é certo, mas há uma escala imposta pelo tempo e pela memória. Passaram-se mais de quinze anos entre a minha visita anterior e esta, a última. Num clarão, é como se tudo fosse familiar sem que, no entanto, eu consiga retomar o meu lugar e reencontrar completamente os meus lugares. Regressei aqui sem precisar de consultar o mapa, refazendo um caminho tantas vezes percorrido que já não o consigo esquecer. Foi terrível fazê-lo há vinte anos já sem a tua companhia, mãe. Mas não preciso de o refazer para me lembrar de ti.

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“O Bosque (I)”

Dios es Dios

20.08.2020

Yo hago versos y creo en Dios.
Mis versos
andan llenos de Dios, como pulmones
llenos del aire vivo.
Carlos Drummond de Andrade
hace -hacía- versos,
mejores que los míos,
y no creía en Dios.
(Dios no es simplemente la Belleza).

El Ché entregó su vida por el Pueblo
y no veía a Dios en la montaña.
Yo no sé si podría convivir con los Pobres
si no topara a Dios en sus harapos;
si no estuviera Dios, como una brasa,
quemando mi egoísmo lentamente.
(Dios no es simplemente la Justicia).

Muchos humanos izan sus banderas
y cantan a la Vida,
dejando a Dios de un lado.
Yo sólo sé cantar dando Su Nombre.
(Dios no es simplemente la Alegría).

Quizá yo no sería capaz de estos caminos
si no estuviera Dios, como una aurora,
rompiéndome la niebla y el cansancio.
Y hay sabios que caminan imperturbablemente
contra el viso de Dios,
haciendo Historia,
desvelando misterios y preguntas.
(Dios no es simplemente la Verdad).

... Belleza sin ocaso,
Verdad sin argumentos,
Justicia sin retomos, Amor inesperado,
¡Dios es Dios simplemente!

PEDRO CASALDÁLIGA, CMF, Todavía estas palabras

Canción de la hoz y el haz

20.08.2020

(Cosechando el arroz de los posseiros
de Santa Terezinha,
perseguidos por el Gobierno y por el Latifundio.)

Con un callo por anillo
monseñor cortaba arroz.
¿Monseñor ‘martillo
y hoz’?

Me llamarán subversivo.
Y yoles diré: lo soy.
Por mi Pueblo en lucha, vivo.
Con mi Pueblo en marcha, voy.

Tengo fe de guerrillero
y amor de revolución.
Y entre Evangelio y canción
sufro y digo lo que quiero.
Si escandalizo, primero
quemé el propio corazón
al fuego de esta Pasión,
cruz de Su mismo Madero.

Incito a la subversión
contra el poder y el dinero.
Quiero subvertir la ley
que pervierte al Pueblo en grey
y al gobierno en carnicero.
(Mi Pastor se hizo Cordero.
Servidor se hizo mi Rey).

Creo en la internacional
de las frentes levantadas,
de la voz de igual a igual
y las manos enlazadas...
Y llamo al orden de mal,
y al progreso de mentira.
Tengo menos paz que ira.
Tengo más amor que paz.

... Creo en la hoz y en el haz
de estas espigas caídas:
una Muerte y tantas vidas!
¡Creo en esta hoz que avanza
— bajo este sol sin disfraz
y en la común esperanza —
tan encurvada y tenaz!

PEDRO CASALDÁLIGA, CMF, Cantares de la entera libertad

O Bosque (I)

19.08.2020


É tudo tão nítido e tão distante. O bosque permanecia cheio e vertical na despedida de ontem, aquele que eu olhava do meu quarto, aquele onde tudo era mágico. Tinha sete anos quando nos mudámos para aqui. Do lado de lá da linha férrea, a mata era maior do que a zona urbanizada. Com o passar dos anos, as árvores foram desaparecendo e os prédios crescendo em Massamá. No lado de cá, na rua onde morávamos em Tercena, as mudanças foram mais reduzidas. A zona, de um lado e de outro, tornou-se num grande “dormitório” de trabalhadores, como se dizia — não sei se ainda se diz. O mesmo é dizer que do nosso apartamento via o país que bulia para o comboio para trabalhar noutras paragens, gente remediada, muita em dificuldades constantes. Não era tão claro para mim como isso marcou a minha consciência até esta última visita. Cresci naquela casa na linha daquele bosque augusto, imagem do que fica, reflexo do que muda.

Antífona

19.08.2020

¿Para qué tu Navidad
si no hay gloria en las alturas
ni en la tierra paz?
y a José y María
no les dan lugar
ni dentro ni fuera
de la ciudad?
y la Buena Nueva
ya no es novedad?
y mandan
callar
a todos los ángeles
que osan cantar?
¿Para qué,
para quién, Niño,
tu Navidad?

Dinos cuál es tu Dios, Jesús; enséñanos
a no hacerlo el Dios que no lo haces.
¡Devuélvenos tu Dios,
mostrándonos el Padre!

Entre tu rostro humano
y la gloria de Dios
está el abismo
de nuestra fe y tu muerte.

¿Dónde estará
la Paz
que Tú nos has dejado
si no hay paz
en medio de nosotros?

Tú eres
tanto
la Paz
como el Desasosiego.

PEDRO CASALDÁLIGA, CMF, Todavía estas palabras

The Class Struggle and Christian Love

17.08.2020

The Bias Magazine: The Voice of the Christian Left, a project of the Institute for Christian Socialism, has republished Herbert McCabe's seminal essay for a limited time, “The Class Struggle and Christian Love”, with permission from Bloomsbury:

The Irish-born McCabe entered the Dominincan Order in England in 1949. After ordination he went on to become editor of New Blackfriars journal and taught at Blackfriars, Oxford for many years. While McCabe's ingenious theological and philosophical work has enjoyed an ecumenical renaissance, his Marxist political convictions and occasional articles on politics and global struggles against capitalism are less well-known (or ignored). From 1964 to 1970, McCabe was involved in Slant, a journal and working group composed mainly of academic and clerical Catholic Marxists, who sought to radicalize Christianity through dialogue with Marxism and the New Left.

The following essay from 1980 discusses the meaning and necessity of class struggle against capitalism in light of the Christian imperative of universal love. In addition to its incisive arguments about class struggle, the use (and misuse) of violence, and the ‘revolution’ of Christianity, it is also a very capable primer in the basics of Marxism.

O Silêncio de Tomás

24.07.2020

O Laicado Dominicano de Junho/Julho de 2020 inclui um artigo meu com o título “O Silêncio de Tomás”, uma reflexão sobre o silêncio a partir de São Tomás de Aquino. Mas há muito mais para ler neste número. Fica o convite. Está disponível aqui.

Um Corpo Pregado ao Asfalto

24.06.2020


Fot. Fernie Ceniceros/Catholic Diocese of El Paso.

Saiu hoje a minha sexta publicação no Pontos SJ sobre o racismo que existe nos EUA e em Potugal. Pode ser lida aqui.

Entrevista para A Voz do Operário

11.06.2020

Hoje celebra-se o Corpo de Deus. É um momento de união comum, pois se “há um único pão, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão” (1Cor 10,17). Neste dia, A Voz do Operário publicou uma entrevista que o Bruno Amaral de Carvalho me fez para a edição de Junho do jornal. Tem o título “A solidariedade é um instrumento de transformação social” e está disponível aqui.