“Não à guerra!”

21.09.2016

Um excerto do discurso do Papa Francisco, ontem em Assis, na jornada de oração pela paz “Sede de Paz: Religiões e Culturas em Diálogo”:

Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado. Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana.

Dos Sentidos ao Intelecto

20.09.2016

[N]ihil est in intellectu quod non sit prius in sensu.
[N]ada está no intelecto que não estivesse primeiro nos sentidos.

TOMÁS DE AQUINO, OP, De veritate

Uma Cama por Uma Noite

15.09.2016

Um parágrafo para guardar activamente na memória da crónica do padre Anselmo Borges, publicada no sábado passado no Diário de Notícias:

É preciso lutar de modo lúcido e enérgico pela justiça no mundo, transformando as estruturas sociais, mas seria intolerável, a pretexto de agudizar as contradições sociais para acelerar a revolução, não acudir à criança esfomeada nem ajudar o desgraçado caído na valeta. Era o dramaturgo B. Brecht, marxista lúcido e que conhecia bem a Bíblia, que tinha razão: “Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da Rua Vinte e Seis com a Broadway,/nos meses de Inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem./Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores. /Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Não abandones o livro que to diz, homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite,/durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Mas não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração.”

Pai Nosso

13.09.2016

Um dos comentários de Santo Agostinho sobre os Salmos deixou-me a pensar sobre as muitas maneiras de dizer “Pai nosso”, ou seja, de dizer “fraternidade”:

Irmãos, nós vos exortamos ardentemente à caridade, não só para convosco, mas também para com aqueles que estão fora [...]. Quer queiram quer não, são nossos irmãos. Só deixarão de ser nossos irmãos, se deixarem de dizer: “Pai nosso”.

Patiently, from Seeds to Strong Plants

29.06.2016

The word patience comes from the Latin verb “patior” which means “to suffer”. Waiting patiently is suffering through the present moment, tasting it to the full, and letting the seeds that are sown in the ground on which we stand grow into strong plants.

HENRI NOUWEN, Bread for the Journey

A Liberdade da Libertação

25.12.2015

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes, e não vos sujeiteis outra vez ao jugo da escravidão.

Gal 5,1

The Beginning of Love

20.06.2016

The beginning of love is the will to let those we love be perfectly themselves, the resolution not to twist them to fit our own image. If in loving them we do not love what they are, but only their potential likeness to ourselves, then we do not love them: we only love the reflection of ourselves we find in them.

THOMAS MERTON, OCSO, No Man Is an Island

Santa Joana de Aveiro

01.06.2016

No Culminar da Páscoa

15.05.2016


Henry Haig, Pentecost (1972–73), vitrais da Catedral de São Pedro e São Paulo, Bristol.


No Pentecostes culmina o Tempo Pascal, a Páscoa. É a festa da fraternidade, a celebração espiritual da unidade na diferença. Falavam-se muitas línguas, mas “ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua” (Act 2,6). Tal impede-nos de cair na idolatria da Igreja como instituição e até de Jesus como indivíduo. Em vez de instituição dizemos comunidade. Em vez de Jesus dizemos Cristo, o crucificado ressuscitado nessa comunidade. Por isso, Paulo nos diz: “Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo.” (1Cor 12). Na fraternidade não cabe aquilo que a nega: a exploração e a opressão. Daí que quando Paulo oferece exemplos dos membros deste corpo mencione os “escravos” e os “livres” sem referir os proprietários de escravos e os adversários da liberdade. Este corpo presente, animado por um Espírito que é simultaneamente legado e fruto, encontra o comum na humanidade que caminha e se eleva.

Bem Comum e Interesses Privados

11.05.2016

Santo Agostinho, bispo africano que viveu nos séculos IV e V, não se encolheu perante a iniquidade da escravatura. A privação da liberdade e a obrigação de servidão eram, para ele, um mal humano, um mal social. A cidade tinha o potencial de concretizar a ideia de que o bem humano só pode ser encontrado no bem de toda a sociedade, no bem comum. Na sua regra, responde à hierarquia portuguesa da Igreja Católica sobre a reavaliação da necessidade dos contratos de associação de colégios privados. No capítulo 5, diz que o cristão coloca o bem comum antes do seu próprio interesse, não o seu próprio interesse antes do bem comum: “Sabe, então, que quanto mais te dedicares à comunidade em vez de aos teus interesses privados, mais terás avançado.”