Bento Domingues, OP, “O Papa Não é a Cabeça da Igreja”

28.02.2013

É precisamente porque estamos no chamado Ano da Fé, que importa não a desfigurar com expressões ridículas resvalando para a idolatria. Os católicos sabem que o Papa não é a Igreja, nem a cabeça da Igreja e que a si próprio se designa como “servo dos servos de Deus”. Como diz S. Paulo, seguindo a verdade no amor, cresceremos em tudo em direcção Àquele que é a cabeça, Cristo; Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todos (Ef 4, 15; 1, 22-23 e par.).

O apóstolo escolheu e usou estas imagens para que ninguém, na Igreja, pretenda substituir Jesus Cristo, fundamento da unidade eclesial na pluralidade dos seus carismas, por qualquer culto idolátrico. Como os papas não são sucessores de Cristo, é de elementar decência teológica denunciar qualquer expressão de papolatria.

Bento Domingues, OP, “Venho o Papa Novo”

27.02.2013

É precisamente porque estamos no chamado Ano da Fé, que importa não a desfigurar com expressões ridículas resvalando para a idolatria. Os católicos sabem que o Papa não é a Igreja, nem a cabeça da Igreja e que a si próprio se designa como “servo dos servos de Deus”. Como diz S. Paulo, seguindo a verdade no amor, cresceremos em tudo em direcção Àquele que é a cabeça, Cristo; Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todos (Ef 4, 15; 1, 22-23 e par.).

O apóstolo escolheu e usou estas imagens para que ninguém, na Igreja, pretenda substituir Jesus Cristo, fundamento da unidade eclesial na pluralidade dos seus carismas, por qualquer culto idolátrico. Como os papas não são sucessores de Cristo, é de elementar decência teológica denunciar qualquer expressão de papolatria.

Quaresma II

24.02.2013

Uma palavra falou o Pai, que foi o seu Filho, e di-la sempre em eterno silêncio, e em silêncio a há-de ouvir a alma.

S. JOÃO DA CRUZ, OCD, Ditos de Luz e Amor

TEAR: Justiça (Laborinho Lúcio e Patrícia Reis)

22.02.2013

Quaresma I

19.02.2013

De facto, a nossa vida, enquanto somos peregrinos na terra, não pode estar livre de tentações, e o nosso aperfeiçoamento realiza-se precisamente através das provações. Ninguém se conhece a si mesmo se não for provado, ninguém pode receber a coroa se não tiver vencido, ninguém pode vencer se não combater, e ninguém pode combater se não tiver inimigo e tentações.

Está em grande aflição Aquele que dos confins da terra faz ouvir o seu clamor, mas não será abandonado. Ele quis prefigurar-nos a nós que somos o seu Corpo; quis prefigurar-nos naquele seu Corpo em que já morreu e ressuscitou e subiu ao Céu, para que os membros esperem confiadamente chegar também aonde a Cabeça os precedeu.

Portanto, o Senhor transfigurou-se em Si, quando quis ser tentado por Satanás. Líamos há pouco no Evangelho que o Senhor Jesus Cristo era tentado pelo demónio. Mas em Cristo também tu eras tentado, porque Ele tomou para Si a tua condição humana, para te dar a sua salvação; para Si tomou a tua morte, para te dar a sua vida; para Si tomou os teus ultrajes, para te dar a sua glória; por conseguinte, para Si tomou as tuas tentações, para te dar a sua vitória.

S. AGOSTINHO, Comentários sobre os Salmos

Bento Domingues, OP, “As Religiões Não São Todas Iguais”

15.02.2013

As religiões são manifestações humanas. Suponho que Deus não tem religião. Em tudo o que é humano, também pode surgir o desumano. A religião exprime o que, em nós, há de melhor: a procura da fonte de sentido, o que podemos esperar da vida e o que podemos fazer uns pelos outros. Em suma, os percursos sinuosos da fé, da esperança e da eternidade do verdadeiro amor.

O místico é aquele que nunca pode parar em nenhuma das suas realizações e expressões. As nossas ideias de divindade não são divinas. O idólatra é aquele que não interroga as crenças, os ritos, os preceitos e os interditos, a organização, a autoridade e tudo aquilo a que chama a sua religião. Ao tratar imagens e instituições muito relativas como absolutas e expressões da vontade de Deus, não procura, não investiga e afirma cada vez mais o mesmo, receando que as dúvidas façam ruir todo o seu edifício. Como a afirmação de Deus e dos seus atributos estão ao serviço desse universo idolátrico, não podem deixar de ser a idolatria das idolatrias.

Miguel Almeida, SJ e Eduardo Lourenço sobre a Renúncia

15.02.2013

Distinction and Inseperability

12.02.2013

The aim of man is not outward holiness by works, but life in God, yet this last expresses itself in works of love.

Outward as well as inward morality helps to form the idea of true Christian freedom. We are right to lay stress on inwardness, but in this world there is no inwardness without an outward expression. If we regard the soul as the formative principle of the body, and God as the formative principle of the soul, we have a profounder principle of ethics than is found in Pantheism. The fundamental thought of this system is the real distinction between God and the world, together with their real inseparability, for only really distinct elements can interpenetrate each other.

MEISTER ECKHART, OP, “Outward and Inward Morality”

Ser Enviado

11.02.2013

A partir de Is 6,1-2a/3-8, 1Cor 15,1-11, e Lc 5,1-11:

Prestes a entrar no período da Quaresma, somos relembrados que vimos a esta celebração para dela sermos enviados. É já para esta atitude que aponta a afirmação de Isaías que vamos escutar. Talvez falemos demasiado de Deus, sobretudo quando o fazemos com propriedade. O frade dominicano José Augusto Mourão disse uma vez que todo o discurso directo sobre Deus é obsceno. Que fazemos, então? Fazemos como Jesus, falamos mais sobre nós do que sobre Deus, falamos sobre Deus através de nós. Falamos, por exemplo, nas redes que lançamos e naquelas que nos ligam. Falamos também da consciência social, da dignidade humana, do nosso horizonte comum, e deixamos que estas palavras se transformem em acções. E assim, tal como em Jesus, será o nosso testemunho que falará de Deus como uno e colectivo, triuno, relacional. Será a nossa vida que falará de Deus sem nomear Deus.

Bento Domingues, OP, “Santas, Submissas e Rebeldes”

09.02.2013

Ora, o que há a destacar de mais extraordinário e paradoxal, nesses relatos, é a enorme falta de fé de Jesus nos seus discípulos. Tão grande que recorreu às discípulas, às mulheres, individualmente e em grupo, para que fossem elas a comunicar-lhes que nada estava acabado com a crucifixão: o projecto, o sonho e Ele próprio estavam vivos e para sempre.

As mulheres, tidas por mentirosas, não podiam testemunhar em tribunal. Jesus viu que foram elas que, sem arredar pé, O seguiram até ao fim. Eram elas as suas testemunhas e encarregou-as de evangelizar os apóstolos, que o medo e a falta de fé tinham feito dispersar. Os próprios textos insistem, no entanto, que os homens, os discípulos, não lhes deram crédito. Continuavam com a ideia velha e derrotada de que o testemunho das mulheres não valia nos processos jurídicos. Elas serviam, quando muito, para levantar boatos. Como Tomé, tinham de ser eles a verificar. Cristo repreende-os: homens de pouca fé, continuais incapazes de vos render à palavra das discípulas.

TEAR: Criatividade (João Bicker)

01.02.2013