Santa Maria Madalena, Apóstola dos Apóstolos

22.07.2026


Perugino, Maria Maddalena (c. 1500).

Neste dia 22 de julho, festa litúrgica de Santa Maria Madalena, damos graças a Deus pela mulher que, ainda de madrugada, se dirigiu ao túmulo movida por uma sede que nem a morte conseguira extinguir. Maria Madalena procura o Senhor quando tudo parece perdido, permanece quando os outros regressam a casa e deixa que as suas lágrimas se transformem em ocasião de encontro. Nela reconhecemos a verdade das palavras do salmista: “Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro. A minha alma tem sede de Vós” (Sl 62[63],2). Também as nossas comunidades leigas dominicanas nascem desta procura. Não nos reunimos porque já possuímos todas as respostas, mas porque desejamos procurar juntos o rosto de Cristo, escutar a sua Palavra, e aprender a reconhecer a sua presença, mesmo nos momentos em que Ele parece ausente ou se apresenta de um modo que ainda não sabemos discernir.

No jardim da Ressurreição, Maria Madalena reconhece Jesus quando Ele a chama pelo nome: “Maria!” (Jo 20,16). Antes de O conhecermos plenamente, somos conhecidos. Antes de pronunciarmos o nome de Deus, Ele pronuncia o nosso. É deste reconhecimento amoroso que nasce toda a vocação: não de uma função que desejamos desempenhar nem de uma identidade exterior que procuramos adquirir, mas da certeza de que Cristo nos vê, nos conhece e nos chama pessoalmente. Pedimos a Santa Maria Madalena que ela nos ensine a permanecer junto de quem sofre, a não desprezar as lágrimas, a procurar a verdade com inteligência e humildade, e a reconhecer Cristo nas irmãs e nos irmãos, particularmente nos mais frágeis, esquecidos, e feridos.

Mas Maria Madalena não pode reter para si o Senhor ressuscitado. O encontro torna-se envio e missão: “Vai para junto dos meus irmãos e diz-lhes” (Jo 20,17). Aquela que chorava junto do túmulo parte agora como pregadora da esperança, anunciando: “Vi o Senhor!” (Jo 20,18). Por isso é chamada “apóstola dos apóstolos” e é padroeira da Ordem Dominicana. Que ela acompanhe o nosso caminho e torne as nossas comunidades verdadeiramente dominicanas: enraizadas na oração, alimentadas pelo estudo, fortalecidas pela fraternidade, e abertas à missão. Que aquilo que contemplarmos não fique guardado como trigo que se estraga, mas seja oferecido livremente aos outros. E que, pela nossa palavra, pelo nosso serviço, e pela maneira como vivemos juntos, possamos também anunciar ao mundo que Cristo está vivo e continua a chamar cada pessoa pelo seu nome.

O Tempo do Amor

11.05.2024


Hoje é o aniversário da Filipa e nós fazemos 29 anos juntos. É muito tempo. Mas que tempo tem sido?

A ideia de “alma gémea” não faz propriamente parte do vocabulário cristão, pelo menos no sentido romântico mais popular: a crença de que existe uma única pessoa predestinada para cada pessoa, como uma metade perfeita perdida à espera de ser encontrada. Essa visão aproxima-se mais de certas ideias platónicas, espiritualistas, ou modernas sobre o amor romântico absoluto do que da teologia católica. E talvez seja insuficiente porque diminui a liberdade humana, o discernimento, a responsabilidade moral, e sobretudo a ideia cristã do amor como escolha, compromisso, e crescimento.

Há, porém, uma forma mais profunda — e talvez mais bela — de pensar algo semelhante a uma “alma gémea”. Na visão católica, Deus pode providencialmente aproximar duas pessoas. Certas relações podem revelar uma vocação mútua. O matrimónio pode tornar-se um caminho de santificação comum. Duas pessoas podem crescer numa unidade espiritual muito profunda. Nesse sentido, alguém pode tornar-se “a pessoa da minha vida” não porque exista uma predestinação romântica mágica, mas porque houve um encontro que, ao longo do tempo, foi sendo moldado pela liberdade, pela fidelidade, pela entrega, pelo perdão, pela permanência. A tradição cristã vê o amor conjugal como algo criado e cultivado, não simplesmente descoberto.

Talvez por isso a imagem bíblica mais próxima da ideia de alma gémea seja a expressão: “os dois serão uma só carne” (Génesis 2,24; Mateus 19,5). Mas esta unidade não significa a fusão mística de duas metades incompletas. É antes uma comunhão: corporal, emocional, espiritual, sacramental. No pensamento cristão, ninguém nasce “metade”. Cada pessoa já possui dignidade e integridade próprias. O amor não completa ontologicamente a pessoa; ajuda-a a florescer na relação.

É aqui que o tempo ganha verdadeiramente significado. 29 anos não são apenas duração. O tempo não mede apenas quantos anos passaram: revela aquilo que foi sendo construído dentro deles. Há um tempo que desgasta, dispersa, afasta. Mas há também um tempo que amadurece, aprofunda, transforma duas vidas numa história comum. O amor não é encontrar uma alma gémea pronta desde o início, mas aprender a habitar o tempo com alguém — lentamente, ao longo dos anos — até que essa pessoa se torne inseparável da própria maneira como lemos e vivemos o tempo.

Mãe

03.05.2024


Fra Angelico, OP, Virgin Annunciate (1431-1433).

A minha chamava-se Maria. A nossa mãe chama-se Maria.

Há nomes que, quando ditos, se abrem à contemplação. “Maria” sempre foi, para mim, uma forma de luz pousada nas coisas simples: no gesto atento, no cuidado incondicional, na paciência serena. Um nome que se tornava vida, sem estrondo.

Em Maio, mês que a Igreja dedica a Nossa Senhora, o mundo parece inclinar-se para essa delicadeza. E nós, na tradição dominicana, aprendemos com ela o ritmo certo: contemplar antes de dizer, guardar antes de anunciar, deixar que a Palavra nos transforme por dentro antes de a oferecermos aos outros. Maria abre esse espaço interior onde tudo recomeça na escuta.

Talvez seja esse o segredo das mães: uma sabedoria silenciosa que sustenta o visível a partir do invisível. A minha mãe sabia disso sem o nomear. Como Maria de Nazaré, habitava o quotidiano com uma fé encarnada — não feita de discursos, mas de presença.

Should We Live Forever?

04.04.2026

Retiro Quaresmal 2026

14.02.2025

Sou um Teólogo Feliz

10.11.2025

The Magnetism of Peace / O Magnetismo da Paz

06.07.2025

Phot./Fot. Chen Te.

If a peaceful person lives there, your peace will rest on him; but if not, it will return to you.

Se lá houver uma pessoa de paz, sobre ela repousará a vossa paz; se não, voltará para vós.

— Lk./Lc. 10:6.

Divine Support / Apoio Divino

29.06.2025

Phot./Fot. Minor White.

But the Lord stood by me and gave me strength.

O Senhor, porém, esteve comigo e deu-me forças.

— 2 Tim. 4:17.

One in Faith / Um na Fé

22.06.2025

Phot./Fot. Tom Copeland.

There is neither Jew nor Greek, there is neither slave nor free person, there is not male and female; for you are all one in Christ Jesus.

Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus.

— Gal. 3:28.

The Lord’s Food / O Alimento do Senhor

19.06.2025

Phot./Fot. Adrià Masi.

I would feed you with the finest of the wheat and with honey from the rock I would satisfy you.

Alimentaria o meu povo com a flor do trigo e saciá-lo-ia com o mel do rochedo.

— Ps./Sl. 81:17.