Quem Vigia o Vento Não Semeia (5): O Princípio do Acontecimento

08.12.2011

Diz o poeta persa Farîd Uddîn Attâr: “Há uma diferença entre conhecer o caminho e caminhar”. O que é dizer que o conhecimento puramente teórico não basta, que a consciência deve comprometer-se num determinado número de experiências que constituem a sua educação ou a sua formação. São estas noções de experiência e de caminhada que são aqui essenciais. Não temos acesso à verdade, à felicidade ou à satisfação senão atravessando uma série de provas que são como momentos ou mediações através dos quais ela se confronta com a náusea e a exterioridade do mundo. Se toda a época e toda a cultura comportam um princípio de clausura, este princípio é sempre contrariado por um outro, o princípio do acontecimento.

Juntemo-nos ao salmista na lamentação em que se tornou a vinha. Ilumine-nos o Deus das vítimas, não o dos vencedores, da abertura, não da clausura. E que a sua paz guarde os nossos corações. Que haverá de mais precioso, de mais doce e mais gratuito?

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, “O Filho e a Pedra”

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