A Palavra da Cruz

15.04.2017


Église Louise Bourgeois.

A cruz ergue-se como encenação da injustiça. O inocente exibe a falta de todos. O que provocou a condenação do justo foi a sua justiça. O que causou o seu assassinato foi a sua vida exposta, nua de estratégias, desarmada. A sua palavra de verdade.

[...]

Não quero nada conhecer senão o Cristo crucificado. Aquilo a que Paulo chama a “palavra da cruz” (1 Co 1,18) evoca sobretudo o seu silêncio, o que se vê e se cala, a mensagem do que não fala, a verdade que escapa ao discurso. Que verdade é esta que se dirige aos olhos, como se lê já no oráculo de Isaías 52,13-53,12, cujo tema é a elevação por Deus dum “Servidor” anónimo condenado à morte e executado? O essencial do oráculo está saturado pela aparência. “O seu esmagamento foi para nós a cura”.

Só a cruz cura verdadeiramente porque só ela cura da morte. Cure-nos a árvore da cruz da irrisão, da frieza que gera a falta de compaixão, do amor de Deus sem o amor ao próximo. Se não era a serpente que curava mas apenas a sua imagem, também não é a cruz que é vista por nós, mas apenas a imagem da cruz, a imagem que traça em nós o Espírito a fim de que aqueles que odeiam, que se odeiam a si mesmos sem o saber, se curem. Hora das trevas sobre o mundo. Aquilo em que eles acreditam é na vitória sobre a morte, mas aquilo que os faz acreditar é a cruz, dizia Pascal. Cobre-nos a cruz com o seu silêncio de sangue. Cubra-nos também com o esplendor da manhã de Páscoa para recomeçar cada um o caminho da vida através da morte.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, Luz Desarmada

The Kingdom of God

12.04.2017

“He shall judge between the nations,
and set terms for many peoples.
They shall beat their swords into plowshares
and their spears into pruning hooks;
One nation shall not raise the sword against another,
nor shall they train for war again.”

Is 2:4