
Fra Angelico, OP, Virgin Annunciate (1431-1433).
A minha chamava-se Maria. A nossa mãe chama-se Maria.
Há nomes que, quando ditos, se abrem à contemplação. “Maria” sempre foi, para mim, uma forma de luz pousada nas coisas simples: no gesto atento, no cuidado incondicional, na paciência serena. Um nome que se tornava vida, sem estrondo.
Em Maio, mês que a Igreja dedica a Nossa Senhora, o mundo parece inclinar-se para essa delicadeza. E nós, na tradição dominicana, aprendemos com ela o ritmo certo: contemplar antes de dizer, guardar antes de anunciar, deixar que a Palavra nos transforme por dentro antes de a oferecermos aos outros. Maria abre esse espaço interior onde tudo recomeça na escuta.
Talvez seja esse o segredo das mães: uma sabedoria silenciosa que sustenta o visível a partir do invisível. A minha mãe sabia disso sem o nomear. Como Maria de Nazaré, habitava o quotidiano com uma fé encarnada — não feita de discursos, mas de presença.
