L’affrontement à l’injustifiable

22.11.2017

Poésie, philosophie et théologie naissent de l’affrontement lucide à l’injustifiable qu’aucune action ne saurait définitivement éliminer.

CHRISTIAN DUQUOC, OP, La Théologie en exil

A Desejada Renovação de Toda a Igreja

17.11.2017

A questão da sexualidade, e por extensão da homossexualidade, é tão importante, tão decisiva, para a discussão sobre a formação de futuros padres que o decreto do Concílio Vaticano II Optatam Totius sobre este tema não a menciona — uma única vez que seja. O Concílio decorreu entre 1962 e 1965. Há mais de meio século, portanto. Talvez não valha a pena dizer muito mais do que isto face às declarações de ontem do Cardeal-Patriarca de Lisboa.

Lutero e o Protestantismo em Portugal

06.11.2017

O Presente Reparado e Ressuscitado

10.10.2017

no livro de Deus
está inscrito o nosso nome
aí dormimos
à espera
que nos acorde
o Consolador

somos a figueira de ramos ternos
que se alegra com o tempo novo que desponta
e somos a figueira de outonos
desolados
invernais
à espera do calor das mãos
do Ungido que nos aqueça

o Verão-no-Inverno está próximo
para quem espera
na brecha do instante
a carícia do consolador
que nos apague as lágrimas
e abençoe o mundo

a vocação do Messias
é de reparar o presente
e o ressuscitar,
não de anunciar uma paz futura
que deixaria
inconsoladas
as dores singulares

estamos à porta e batemos
se Deus está perto
batamos palmas e dancemos

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, “No livro de Deus”

Promessa Perpétua OP

05.10.2017

Entrada definitiva na Ordem Dominicana, depois de cinco anos de um caminho que abriu hoje outro.

Intercessor dos Pobres e dos Trabalhadores

24.09.2017

Faz amanhã duas semanas que morreu António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, companheiro do Papa Francisco na transformação renovadora da Igreja Católica. Hoje, faleceu aos 90 anos o primeiro Bispo de Setúbal, Manuel Martins, intercessor dos pobres e dos trabalhadores — como escreveu há poucas horas Jorge Ortiga, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social. Deus o tenha. Nós o guardemos.

Tardes de Setembro 2017

08.09.2017

The Five Solae

16.08.2017


Ferdinand Pauwels, Affichage des 95 thèses de Martin Luther (1872).

Martin Luther posted his famous 95 theses in 1517. 500 years later, the journal Dominicana proposes five knowledgeable commentaries on the five solae, with an introduction and a conclusion:

Introduction: “A New Series: The Five Solae”
On Sola Gratia (Grace Alone): “The Fullness of Grace”
On Solus Christus (Christ Alone): “Solus Christus, and the Mediation Established by God”
On Sola Scriptura (Scripture Alone): “Sola Scriptura’s Disunity”
On Sola Fide (Faith Alone): “Little Abraham Goes to Work”
On Soli Deo Gloria (Glory to God Alone): “The Sun and the Moon”
Conclusion: “5 Solae, 500 Years Later”

When Were the New Testament Gospels Written?

06.08.2017

An infographic by Robert Myles, Lecturer in New Testament and Religion at Murdoch University, Western Australia:

Casa das Irmãs Dominicanas, Fátima

09.07.2017

A Oração do Silêncio

15.05.2017

Por motivos profissionais, não acompanhei como queria, nem como considero que devia, a visita de Francisco a Fátima como peregrino. Mas daquilo que vi o que me pareceu mais impressionante foi a oração silenciosa de 8 minutos que foi acompanhada por todas as pessoas presentes, cessando os “Viva o Papa!” e os “Francisco! Francisco!” A televisão não aguentou este silêncio. Era preciso falar, encher o ar, trocar a respiração consciente pelo discurso incessante. A meditação que se abriu perante Maria, mãe de Jesus, porta do divino, aquela “dos olhos misericordiosos”, foi sobre esta necessidade de deixar o silêncio falar ou de falarmos entre nós em silêncio. Um silêncio destes, no contexto da espera de um discurso foi também o esvaziamento da presença do Papa, como se o mundo se tornasse verdadeiramente presente através da sua suspensão, da paragem do seu movimento que tantas vezes nos obriga a falar sem ouvirmos. No princípio era este silêncio espesso da palavra sem pio. E sem aceitarmos o confronto com esta origem na qual se inscreve tudo o que dizemos, não haverá a concórdia entre os povos de que Francisco falou depois, fazendo rimar o silêncio experimentado momentos antes com o branco manchado pela violência da humanidade dividida contra si própria: “Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos.”

A Palavra da Cruz

15.04.2017


Église Louise Bourgeois.

A cruz ergue-se como encenação da injustiça. O inocente exibe a falta de todos. O que provocou a condenação do justo foi a sua justiça. O que causou o seu assassinato foi a sua vida exposta, nua de estratégias, desarmada. A sua palavra de verdade.

[...]

Não quero nada conhecer senão o Cristo crucificado. Aquilo a que Paulo chama a “palavra da cruz” (1 Co 1,18) evoca sobretudo o seu silêncio, o que se vê e se cala, a mensagem do que não fala, a verdade que escapa ao discurso. Que verdade é esta que se dirige aos olhos, como se lê já no oráculo de Isaías 52,13-53,12, cujo tema é a elevação por Deus dum “Servidor” anónimo condenado à morte e executado? O essencial do oráculo está saturado pela aparência. “O seu esmagamento foi para nós a cura”.

Só a cruz cura verdadeiramente porque só ela cura da morte. Cure-nos a árvore da cruz da irrisão, da frieza que gera a falta de compaixão, do amor de Deus sem o amor ao próximo. Se não era a serpente que curava mas apenas a sua imagem, também não é a cruz que é vista por nós, mas apenas a imagem da cruz, a imagem que traça em nós o Espírito a fim de que aqueles que odeiam, que se odeiam a si mesmos sem o saber, se curem. Hora das trevas sobre o mundo. Aquilo em que eles acreditam é na vitória sobre a morte, mas aquilo que os faz acreditar é a cruz, dizia Pascal. Cobre-nos a cruz com o seu silêncio de sangue. Cubra-nos também com o esplendor da manhã de Páscoa para recomeçar cada um o caminho da vida através da morte.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, Luz Desarmada

The Kingdom of God

12.04.2017

“He shall judge between the nations,
and set terms for many peoples.
They shall beat their swords into plowshares
and their spears into pruning hooks;
One nation shall not raise the sword against another,
nor shall they train for war again.”

Is 2:4

O Trabalho do Evangelho

16.03.2017

O n.º 628 da publicação da Liga Operária Católica – Movimento de Trabalhadores Cristãos, Voz do Trabalho, inclui um artigo meu com o título “O Trabalho do Evangelho”. Nele comento a obra e a vida do frade dominicano Marie-Dominique Chenu (na imagem), dando especial destaque ao movimento dos padres operários no qual esteve envolvido.

Congress for the Mission of the Order

16.01.2017

The Congress for the Mission of the Order of Preachers begins tomorrow in Rome. I shall participate in it as a Dominican layman from Portugal.

Through the Jubilee Year [of its 800 years], the Order “seeks to renew itself by entering into a dynamic process that culminates in sending the friars to preach anew, just as Dominic sent the first brethren.” And “as we prepare to be sent anew we ask ourselves: By whom we are sent? To whom are we sent? With whom are we sent? What do we bring with us in being sent?” (ACG Trogir, 51).

The Jubilee Year concludes with a Congress that seeks to bring together Dominicans from various regions of the world and from different cultural and ecclesial contexts to reflect and share experiences around the mission of preaching of the Order today. This congress aims to promote and illuminate the mission of the Order through a theological and pastoral reflection on issues that are central to our preaching today.

Epifania

08.01.2017

O povo dividido é o povo dos soberbos. Assim como o vento arranca violentamente a árvore, a soberba separa o homem de Deus; daí Job: “Como a uma árvore arrancada, tirou-me,” permitiu que me tirassem “a minha esperança.” (19,10). A esperança do homem é Deus. Separa-se dele quando o vento da soberba lhe arranca a raiz da humildade. E não é de admirar. Soberba quer dizer que anda acima de si; humildade, vileza da terra ou que está escondido na terra. O soberbo sobe; Deus desce. E que coisa há mais contrária ou oposta? Aquele está no sublime, este no humilde. A raiz é a vida da árvore; a humildade, a vida do homem. Se alguém tivesse num jardim seu uma árvore frutífera e bela e o vento a arrancasse da raiz, não se doeria? Certamente. [...] “Resiste aos soberbos, depõe os poderosos.” (1Pe 5,5) A soberba, porém, está sujeita a queda; o que está no fundo está mais seguro do que aquilo que está no alto. Por isso, como diz Séneca, “entrega-te a coisas pequenas, das quais não podes cair.”

S. ANTÓNIO DE LISBOA, OFM, “Sermões da Epifania do Senhor”